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Brasil de fora: 14 países da OEA divulgam declaração conjunta rejeitando o reconhecimento da posse do ditador Nicolás Maduro

Quatorze países da Organização dos Estados Americanos (OEA) emitiram uma declaração conjunta rejeitando as 'eleições' na Venezuela

Por Redação Notícias de São Paulo em 17/01/2025 às 10:26:41
Ditador venezuelano Nicolás Maduro | Imagem por Eneas De Troya (CC)

BRASÍLIA, 16 de janeiro — Quatorze países da Organização dos Estados Americanos (OEA) emitiram uma declaração conjunta rejeitando as 'eleições' na Venezuela, afirmando que o regime de Nicolás Maduro "não possui legitimidade democrática nem evidências verificáveis de integridade eleitoral".

Em um texto divulgado por seus ministérios das Relações Exteriores, os países exigiram que o "regime ditatorial restabeleça a ordem democrática" na Venezuela, respeite o direito internacional, a Convenção de Viena, as liberdades e os direitos humanos, e rejeitaram o reconhecimento da posse do ditador Nicolás Maduro que foi realizada pelo regime local sob um forte esquema de segurança e repressão a protestos no último dia 10 de janeiro.

Assinaram a declaração os países: Argentina, Canadá, Chile, Costa Rica, Equador, El Salvador, Estados Unidos, Guatemala, Jamaica, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana e Uruguai.

Na América do Sul, não assinaram a declaração os seguintes países: Bolívia (que reconheceu o 'resultado' da 'eleição' nos primeiros minutos após sua divulgação), Brasil, Colômbia, Guiana e Suriname.

De acordo com a legislação local, tendo tomado posse no dia 10 de janeiro de 2025 em uma cerimônia com a presença oficial de representantes do Brasil, Colômbia, Bolívia, China, Rússia, Coreia do Norte, Bielorrússia, Irã, Turquia, Catar, Nicarágua, México, Laos, Honduras, Guiné Equatorial, Cuba, Guiné-Bissau, Mali, Moçambique, Sudão, Zimbábue, Namíbia, Vietnã, Uzbequistão, Sérvia e Argélia, Maduro poderá cumprir seu 'mandato' até 2031, caso nada ocorra nesse período.

Íntegra da nota conjunta: Os Estados Membros da Organização dos Estados Americanos aderentes à presente Declaração Conjunta: Preocupados com o contínuo deterioramento da situação política, econômica, social e humanitária na Venezuela, e as persistentes violações dos direitos humanos e dos princípios democráticos, assim como com os recentes acontecimentos ocorridos nos dias 9 e 10 de janeiro de 2025; Tendo em vista os princípios e objetivos consagrados na Carta da Organização dos Estados Americanos e na Carta Democrática Interamericana, que afirmam o compromisso dos Estados membros de defender a democracia, os direitos humanos, a resolução pacífica dos conflitos e o respeito ao direito internacional; Considerando os princípios reconhecidos na Convenção Americana sobre Direitos Humanos, na Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem e na Declaração Universal dos Direitos Humanos; Reiterando que os elementos essenciais da democracia representativa incluem o respeito aos direitos humanos, às liberdades fundamentais e a realização de eleições periódicas, livres e justas, baseadas no sufrágio universal secreto como expressão da soberania do povo; Destacando também que a democracia é indispensável para o exercício efetivo das liberdades fundamentais e dos direitos humanos, em seu caráter universal, indivisível e interdependente, consagrados nas respectivas constituições dos Estados e nos instrumentos interamericanos e internacionais de direitos humanos; DECLARAM: 1. REJEITAMOS o ato de posse presidencial de Nicolás Maduro no dia 10 de janeiro de 2025, por carecer de legitimidade democrática e provas verificáveis de integridade eleitoral. 2. INCENTIVAMOS a comunidade internacional a continuar apoiando os esforços diplomáticos, políticos e humanitários destinados a enfrentar a crise multidimensional na Venezuela. 3. EXIGIMOS ao regime ditatorial venezuelano que restabeleça a ordem democrática, permitindo uma transição pacífica que respeite a vontade do povo expressa nas eleições presidenciais de 28 de julho de 2024, bem como que libere todas as pessoas detidas arbitrariamente, nacionais e estrangeiras, incluindo os prisioneiros políticos, garantindo o pleno respeito aos seus direitos fundamentais. 4. EXIGIMOS TAMBÉM que o respeito aos direitos humanos e às garantias fundamentais, incluindo o direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal, o direito a um julgamento justo, o respeito à integridade dos direitos civis e políticos sem represálias, a proteção contra detenções ou encarceramentos arbitrários e o direito a um julgamento justo, assim como proteger os beneficiários das medidas cautelares emitidas pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos, sejam uma prioridade absoluta e uma obrigação para a Venezuela. 5. EXIGIMOS ao regime ditatorial venezuelano o pleno respeito ao direito internacional, em particular à Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, à Convenção de Viena sobre Relações Consulares e à Convenção sobre Asilo Diplomático de Caracas de 1954, cessando qualquer perseguição e cerco contra as pessoas asiladas em instalações diplomáticas e consulares em território venezuelano. 6. EXPRESSAMOS sua solidariedade com as pessoas que foram obrigadas a deixar seus países e reconhecer os extraordinários esforços dos países anfitriões para receber migrantes e refugiados venezuelanos. 7. REAFIRMAMOS sua solidariedade com o povo venezuelano, assim como seu firme compromisso com o respeito aos direitos humanos dos venezuelanos."


Embora nunca tenha reconhecido formalmente o 'resultado' das 'eleições' venezuelanas de julho do ano passado, o governo brasileiro, que há seis meses aguarda a apresentação das atas eleitorais prometidas pelo regime local, também nunca se posicionou sobre a fraude eleitoral denunciada por praticamente todos os países da região – com exceção da Bolívia, por motivos políticos –, além de órgãos internacionais, da ONU e entidades como o Centro Carter, que, com autorização do regime venezuelano, atuou como observador internacional no país e revelou as irregularidades do último "pleito", afirmando que a eleição "não pode ser considerada democrática".

Relevante: Cerca de 85% das atas oficiais foram divulgadas pela oposição e confirmadas por organismos internacionais, mas jamais foram avaliadas – ou sequer visualizadas oficialmente – pelo governo brasileiro.

A última cerimônia de 'posse' do ditador venezuelano Nicolás Maduro, realizada em 2019, durante o mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro, não contou com representação oficial do Brasil, mas teve a presidente do atual partido governista PT, Gleisi Hoffmann, tratada como representante informal.

À época, sob críticas, Gleisi afirmou ter comparecido à 'posse' para "marcar posição contra a grosseira relação do governo Bolsonaro com a Venezuela".

Posição do partido de Lula: Em outubro de 2024, o partido governista PT (Partido dos Trabalhadores) assinou, sem divulgar para evitar prejuízo político nas últimas eleições municipais brasileiras, uma resolução do Foro de São Paulo que reconheceu o ditador Nicolás Maduro como vencedor das "eleições presidenciais" venezuelanas de julho.

O documento foi produzido e assinado por partidos de esquerda no México, durante um evento do Foro de São Paulo, com a presença de Mônica Valente, integrante da executiva nacional do PT e Secretária Executiva do Foro de São Paulo.

Antes disso, em julho, o partido chegou a divulgar uma nota oficial, no próprio site do PT, saudando a "vitória" de Maduro.

Na nota, que foi assinada pela Executiva Nacional do PT, o partido afirmou que as "eleições" na Venezuela foram uma "jornada pacífica, democrática e soberana", destacando que o CNE (equivalente ao TSE), controlado pelo regime local, daria "um tratamento respeitoso a todos os recursos recebidos conforme a Constituição".

Em meados de agosto, durante uma viagem ao sul do Brasil e em entrevista à Rádio Gaúcha, ao ser questionado sobre a Venezuela, Lula, que está em seu terceiro mandato presidencial nesta mesma sigla política, rechaçou a nota pública de seu partido, afirmando que não concordava com seu conteúdo. Apesar do posicionamento do mandatário brasileiro, a entrevista ganhou destaque nos noticiários após Lula afirmar que não considera a Venezuela uma ditadura, mas sim um "regime muito desagradável".


(Matéria em atualização)

Fonte: O Apolo Brasil

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